Concessões / Privatizações de Aeroportos

Apagões nos aeroportos: Soluções existem e são muitas

Editais de concessão precisam ter foco no futuro, na sustentabilidade

Apagões nos aeroportos: Soluções existem e são muitas

Comentário por Respicio A. Espirito Santo Jr.   |   Março de 2013

Na 4a-feira dia 27/2 este que vos escreve estava em Brasília. Meu retorno ao Rio de Janeiro era em um voo entre 16:00 e 17:00. Cheguei ao aeroporto perto das 14:00 para almoçar com tranquilidade. Por volta das 14:10-14:15 presenciei 2 ou 3 “mini-apagões” consecutivos no aeroporto, cada um com duração de 1 ou 2 segundos. Monitores se apagaram, luzes do terminal de embarque piscaram e totens de auto-atendimento saíram do ar. Os sistemas de check-in das empresas aéreas “caíram” e assim ficaram por cerca de 3 ou 4 minutos. Não estava chovendo, não estava ventando. Neste horário o aeroporto registrava movimento muito baixo e, talvez por isso, acredito que esta série de “mini-apagões” tenha causado pouco transtorno a passageiros e funcionários. Contudo, os “mini-apagões” aconteceram, isto é fato. Ninguém me contou; eu estava lá e vi ao vivo e a cores.

Será que outros “mini-apagões” ocorreram em outros dias, outros horários? Será que esta série de “mini-apagões” do dia 27/3 eram um prenúncio do grande apagão de 02/Março?

A Concessionária Inframérica tentou explicar a causa deste apagão do início de Março; a empresa de energia do DF também buscou fazê-lo. Acredito que tanto a SAC como a ANAC estejam acompanhando este caso. Entretanto, tenho minhas dúvidas se SAC e ANAC sabem dos “mini-apagões” do dia 27/2. Bem, se não sabem, deveriam começar a investigar os porquês deles terem ocorrido.

Casos recentes de apagões no Galeão/Tom Jobim também causaram transtornos a passageiros e empresas aéreas. Até este momento e com base no que a imprensa nos informa, ninguém foi multado ou muito menos responsabilizado por estes apagões no GIG.

Busquemos enxergar sob um ângulo mais amplo, mais moderno e sistêmico… Por que os aeroportos brasileiros não possuem geração própria de energia? Por que não são independentes da rede elétrica do município que o acolhe?

Sim, nossos aeroportos poderiam muito bem ter sistemas de cogeração funcionando com turbinas aeronáuticas alimentadas a gás natural ou mesmo bagaço de cana. Detalhe: dezenas de shopping-centers espalhados pelas grandes cidades brasileiras possuem geração própria de grande parte da energia que consomem via cogeração funcionando com turbinas aeronáuticas!

Como se não bastasse, nossos aeroportos também poderiam fazer muito, mas muito maior uso de energias alternativas, tais como a energia solar e energia eólica. A primeira já é realidade em diversos aeroportos no mundo, inclusive em países menos desenvolvidos que o Brasil! E o que não falta a uma expressiva parte dos municípios brasileiros é sol –muito sol!– o ano inteiro!

Vejamos alguns exemplos de aeroportos no exterior que possuem as chamadas solar farms (fotos ao final deste post):

Aeroporto Internacional de Denver, Colorado, EUA

Aeroporto Internacional de Genebra, Suíça

Aeroporto Internacional de Indianapolis, EUA

Aeroportos internacionais de São Francisco e Oakland, ambos na Califórnia, EUA

Aeroporto Internacional de Phoenix, Arizona, EUA

Aeroporto regional de Gainesville, Florida, EUA

Aeroporto Internacional de Tucson, Arizona, EUA

Aeroporto Internacional de Vancouver, Canadá

Aeroporto Internacional de Birmingham, Reino Unido

Aeroporto Internacional de Londres-Gatwick, Reino Unido

Aeroporto Internacional de Palau, no Oceano pacífico próximo às Filipinas

A lista não pára aqui, há centenas de outros aeroportos –pequenos, médios e grandes– investindo em energia solar. Sim, a geração ainda é pequena (5-6% do total de energia consumida pelo aeroporto, passando por casos de 20-25% e indo até o suprimento total de energia para o terminal de passageiros, caso este do aeroporto regional de Gainsville), mas todos estes aeroportos que já geram energia através das suas solar farms, não apenas estão cada vez mais independentes da rede municipal, como estão contribuindo diretamente para a redução do consumo de combustíveis fósseis que abastecem suas plantas de cogeração. Com isto, contribuem dupla e diretamente de forma positiva com as populações no entorno!

Por que isto não é implementado nos grandes aeroportos brasileiros? Mais importante ainda: Por que nada com relação à implementação de fontes alternativas de energia foram exigidas –repetindo: exigidas– nos editais de concessão de ASGA, GRU, VCP e BSB? Será que serão introduzidas nos editais de GIG e CNF? Será que os reguladores –geralmente grandes especialistas em Economia e Finanças– só conseguem entender o termo “eficiência” se este estiver atrelado ao atendimento do passageiro nas formas mais comuns, tradicionais e quase-arcaicas de “tempo de processamento no check-in”, “tempo médio de restituição de bagagens”, “pontualidade e regularidade” e outras métricas tão ou mais simplistas? Onde está a verdadeira modernidade –em termos de sustentabilidade, em termos de visão de futuro em prol da sociedade– sendo exigida dos concessionários ou até mesmo da Infraero?

Ainda há tempo para introduzir o acima nos editais de GIG e CNF… e em todos os demais que venham a ser elaborados. Não fazê-lo será trabalhar frontamente contra os avanços tecnológicos, contra a sustentabilidade e contra um futuro muito melhor para a sociedade brasileira.

PS: Para ver uma excelente aplicação de mini-turbinas eólicas no Aeroporto Internacional de Boston-Logan (foto mais abaixo), nos EUA, visite: http://www.mlive.com/business/west-michigan/index.ssf/2009/02/great_lakes_green_energy_solut.html. Visite também a página do fabricante destas mini-turbinas: http://www.avinc.com/engineering/architecturalwind1

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Solar farm do Aeroporto Internacional de Denver (Colorado, EUA)

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Solar farm do Aeroporto Internacional de Denver (Colorado, EUA)

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Solar farm do Aeroporto Internacional de Oakland (Califórnia, EUA)

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Aeroporto Internacional de São Francisco (Califórnia, EUA) e os painéis solares montados no topo de um dos terminais de passageiros

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Mini-turbinas eólicas em funcionamento no Aeroporto Internacional de Boston-Logan, EUA

 

Comentários

  1. Para o Estado produzir editais de concessão modernos precisa haver executivos com elevada gama de conhecimentos técnicos, olhos voltados para o futuro e com a missão de promover melhorias expressivas para a indústria da aviação civil. No Brasil da atualidade não temos executivos com todas estas virtudes na Anac, nem na Sac, nem na Infraero, nem na EBL, nem na Casa Civil da Presidenta, nem no Decea, em lugar algum deste governo. Em sendo assim, só resta a nós aviadores e todos os que ganham seu sustento na aviação civil, que iniciemos uma mobilização organizada e apartidária, para garantirmos um futuro seguro, decente e próspero para esta indústria. Nossa mobilização tem que começar já, sob o risco de não existir futuro algum para a indústria de aviação civil no Brasil.

  2. Meu caro professor, o senhor acredita que algum dia teremos aeroportos de 1o mundo no Brasil? Com esta classe dirigente que não possue visão de longo prazo alguma? O País está mergulhado na mediocridade total quando se trata das políticas públicas para a indústria da Aviação Civil.

    • Educação. Enquanto o governo não investir em educação como deveria ser, continuaremos com uma massa pouco preparada para exercer cargos públicos e, até mesmo na iniciativa privada.
      Poucos administradores da Anac possuem experiência em aviação, levando o sistema a um caos incontrolavel.
      Perdemos o “bonde” do desenvolvimento. Continuamos andando para trás. Continuamos incompetentes, corruptos e mal educados.
      Criamos as dificuldades e esquecemos de inventar uma maneira de vender facilidades.